
A terceira etapa da Missão Internacional da Associação Brasileira de Reitoras e Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) na China foi realizada em Shenzhen, um dos principais pólos mundiais de inovação tecnológica, educação e desenvolvimento industrial. Entre os dias 21 e 22 de junho, a delegação brasileira participou de uma série de encontros institucionais com universidades, grupos educacionais e empresas de alcance global, fortalecendo as perspectivas de cooperação acadêmica, científica, tecnológica e cultural entre Brasil e China.
A agenda teve início na Universidade de Shenzhen (SZU), instituição fundada em 1983 e considerada uma das universidades de maior crescimento da China. Localizada na estratégica Grande Área da Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, a universidade ocupa posição de destaque nos rankings internacionais.
A delegação foi recebida pelo vice-reitor Li Yonghua, acompanhado da diretora do Departamento de Intercâmbio e Cooperação Internacional, Han Shuixian; da diretora da Faculdade de Intercâmbio Internacional, Pan Yanchun; da equipe do Escritório de Admissões e de representantes da área de cooperação internacional da instituição.
Durante o encontro, foram apresentados os programas acadêmicos, projetos de pesquisa e iniciativas de internacionalização da universidade. A SZU mantém atualmente parcerias com mais de 200 universidades em mais de 50 países e regiões, desenvolvendo programas conjuntos de formação, intercâmbio acadêmico e laboratórios internacionais em áreas estratégicas como inteligência artificial, informação eletrônica, biomedicina e inovação tecnológica.
Representando a delegação brasileira, os dirigentes da Abruem destacaram o potencial de cooperação entre as universidades estaduais e municipais brasileiras e a instituição chinesa, especialmente em áreas ligadas à inovação, pesquisa aplicada, mobilidade acadêmica e formação de recursos humanos.
A programação foi encerrada com uma sessão de perguntas e respostas, troca de presentes institucionais e registro fotográfico entre os participantes.
Educação internacional e ensino de língua chinesa
Outro ponto alto da agenda em Shenzhen foi a visita ao Shenzhen Taoli Future Education Group, grupo educacional fundado em 2018 e reconhecido como uma
das principais referências da nova educação chinesa voltada à internacionalização.
Com mais de 20 campi, cerca de 1.200 colaboradores e mais de 100 mil famílias atendidas, o grupo atua em áreas como educação básica, formação complementar, educação familiar e, especialmente, ensino internacional da língua chinesa.
Durante a reunião, a presidente do grupo, Fang Jinfeng, apresentou as atividades desenvolvidas pela organização e destacou o papel da marca Taoli Chinese na promoção da língua e da cultura chinesas em âmbito global. Atualmente, os cursos e plataformas digitais do grupo alcançam milhões de usuários em mais de 200 países e regiões.
A instituição mantém cooperação com universidades, Institutos Confúcio e organismos internacionais ligados ao ensino da língua chinesa, além de desenvolver soluções educacionais baseadas em inteligência artificial, salas de aula inteligentes e sistemas digitais de avaliação e aprendizagem.
Os representantes chineses destacaram o interesse em ampliar a cooperação com universidades brasileiras, oferecendo apoio para o desenvolvimento de cursos de chinês, capacitação de professores, programas de intercâmbio acadêmico, certificação HSK e projetos de pesquisa conjunta.
Ao final do encontro, a reitora da Uneb, Adriana Marmori, que liderou a comitiva durante essa visita, ressaltou a importância da aproximação entre as instituições de ensino superior dos dois países para a formação de profissionais com visão internacional e para o fortalecimento das relações culturais entre Brasil e China.
BYD
A visita à sede global da BYD constituiu um dos importantes momentos da etapa em Shenzhen. Fundada em 1994 e atualmente integrante da lista Fortune Global 500, a empresa é uma das maiores referências mundiais em mobilidade elétrica, armazenamento de energia e tecnologias sustentáveis.
Instalada no distrito de Pingshan, a sede da companhia reúne mais de 120 mil engenheiros e concentra os principais centros de pesquisa e desenvolvimento da empresa. A BYD acumula mais de 48 mil patentes globais e lidera avanços em áreas como baterias de alta performance, eletrificação veicular e soluções integradas de energia limpa.
Durante a visita, os integrantes da missão conheceram a estrutura de pesquisa da empresa, seus programas de inovação e os modelos de cooperação desenvolvidos com universidades chinesas e internacionais para formação de profissionais voltados ao setor de novas energias.
A empresa também apresentou suas iniciativas no Brasil, destacando o complexo industrial de Camaçari (BA), considerado a maior fábrica de veículos de nova energia da América Latina. O empreendimento simboliza o fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e China e tem contribuído para a geração de empregos, a transferência de tecnologia e a formação de mão de obra especializada.
Como reconhecimento à receptividade e à parceria institucional estabelecida durante a visita, o reitor da UERGS, Leonardo Beroldt, e o reitor da Universidade de Rio Verde
(UniRV), Alberto Barella, entregaram a Medalha da Abruem ao gerente-geral Jacob Wang, representando a direção da companhia.
Shenzhen: inovação, cultura e internacionalização
Além das agendas institucionais, a delegação teve a oportunidade de conhecer alguns dos principais marcos urbanos de Shenzhen, cidade que simboliza a rápida transformação econômica e tecnológica da China contemporânea.
Entre os locais visitados estiveram a região de Qianhai, importante zona de cooperação econômica e tecnológica da Grande Área da Baía, e o Parque de Artes Cênicas Montanhas e Mar em Harmonia, que oferece uma visão privilegiada da integração entre desenvolvimento urbano, sustentabilidade e paisagem natural.
A programação cultural incluiu ainda visita ao Yitian Holiday World, um dos principais centros comerciais e gastronômicos da cidade, conhecido por reunir experiências multiculturais e representar o perfil cosmopolita que caracteriza Shenzhen.

