A Associação Brasileira de Reitoras e Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) deu início nesta semana à sua missão internacional anual. Desta vez, a comitiva de 32 integrantes visita, de 14 a 26 de junho, a China. A primeira etapa da programação acontece em Pequim, onde os integrantes da delegação participam de uma série de atividades voltadas ao fortalecimento das relações acadêmicas, científicas, tecnológicas e culturais entre instituições brasileiras e chinesas.
A missão tem como objetivo ampliar as oportunidades de cooperação entre universidades brasileiras e chinesas, além de incentivar a mobilidade acadêmica, o desenvolvimento de pesquisas conjuntas e a construção de parcerias estratégicas em áreas de interesse comum.
A agenda em Pequim, capital chinesa, começou no último domingo (14), com a chegada dos participantes e uma reunião de alinhamento da missão. Na oportunidade, o reitor da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e líder da missão da Abruem, Leonardo Beroldt, entregou ao presidente da Chinese Plus, Peize Li, uma medalha de agradecimento.
No dia 15, os representantes da Abruem visitaram a Embaixada do Brasil na China, oportunidade para conhecer iniciativas de cooperação bilateral e discutir possibilidades de ampliação das parcerias entre universidades dos dois países. No período da tarde, o grupo participou de atividades no Centro de Educação e Cooperação Linguística (CLEC) e na Associação Educacional da China para Intercâmbio Internacional (CEAIE), instituições estratégicas para o desenvolvimento de programas de mobilidade acadêmica e intercâmbio educacional. No CLEC, a comitiva foi recebida pelo vice-diretor Geral Liu Jianqing. Já na CEAIE, foram recebidos pelo vice-secretário Geral Wang Luxin
A programação da terça-feira (16) incluiu visita à Academia Nacional de Administração Educacional, uma das principais instituições chinesas voltadas à formação e ao aperfeiçoamento de gestores da educação. Na oportunidade, os reitores Leonardo Beroldt (UERGS) e Adriana Marmori (UNEB) entregaram a medalha de agradecimento da Abruem ao vice-presidente Rui Chen.
À tarde, a delegação conheceu a Universidade de Beihang, referência em ensino, pesquisa e inovação, especialmente nas áreas de engenharia, tecnologia aeroespacial e ciências aplicadas. No local, quem recebeu a medalha da Abruem entregue pelos reitores Leonardo Beroldt (UERGS) e Luciléa Ferreira (UEMASUL) foi o vice-presidente Yan Xiaojun.
Nesta quarta-feira (17), último dia da primeira fase da missão, os participantes visitaram a Universidade de Pequim, uma das mais influentes instituições educacionais chinesas. Durante a visita, o vice-reitor Fang Fang recebeu a medalha da Abruem pelas mãos dos reitores Leonardo Beroldt, Clay Chagas (UEPA) e Leandro Vanalli (UEM).
Além das atividades institucionais, a agenda da missão contempla também momentos de integração, aproximação cultural e visitas a pontos históricos da capital. Entre essas atividades está a visita à Cidade Proibida, um dos mais importantes patrimônios históricos e culturais da China, realizada na tarde desta quarta-feira. No período noturno (fuso horário chinês), a delegação embarcou em trem-bala com destino à cidade de Xiangtan, onde terá início a segunda etapa da programação.
Centro de Educação e Cooperação Linguística (CLEC)
Vinculado ao Ministério da Educação da China, o Centro de Educação e Cooperação Linguística (CLEC) é responsável por coordenar ações internacionais voltadas ao ensino da língua chinesa e ao intercâmbio cultural. A instituição mantém ampla cooperação com universidades brasileiras, apoiando a oferta de cursos de chinês, a formação de professores, o desenvolvimento de materiais didáticos e a concessão de bolsas de estudo para estudantes e docentes. O Brasil é considerado um dos principais parceiros do CLEC na América do Sul.
Associação Educacional da China para Intercâmbio Internacional (CEAIE)
Fundada em 1981, a Associação Educacional da China para Intercâmbio Internacional (CEAIE) é uma das principais organizações chinesas voltadas à cooperação educacional global. Com mais de 1.100 instituições associadas e parcerias em mais de 50 países, a entidade atua na promoção de intercâmbios acadêmicos, mobilidade estudantil e projetos internacionais. Nos últimos anos, destacou-se pela implementação de programas de formação de talentos globais e pela liderança de iniciativas internacionais em educação digital e inovação.
Academia Nacional de Administração Educacional (NAEA)
A Academia Nacional de Administração Educacional é a principal instituição chinesa dedicada à capacitação de dirigentes e gestores educacionais. Ligada diretamente ao Ministério da Educação da China, a NAEA desenvolve programas de formação presencial e virtual para líderes acadêmicos de todo o país. A instituição também mantém uma ampla agenda internacional, promovendo projetos de cooperação, fóruns acadêmicos e programas voltados ao fortalecimento da liderança universitária em âmbito global.
Universidade Beihang (BUAA)
Reconhecida entre as principais universidades da China e do mundo, a Universidade Beihang foi fundada em 1952 e é referência internacional em engenharia aeroespacial, tecnologia da informação e inovação científica. Classificada entre as melhores instituições de ensino superior globais, mantém parcerias com mais de 400 universidades e centros de pesquisa em mais de 80 países. A universidade desenvolve projetos de pesquisa conjunta em áreas estratégicas como inteligência artificial, novas energias, manufatura avançada e tecnologia aeroespacial.
Universidade de Pequim (Peking University)
Fundada em 1898, a Universidade de Pequim é considerada uma das instituições de ensino superior mais influentes da China e do mundo. Reconhecida pela excelência acadêmica, reúne mais de 48 mil estudantes e mantém destaque em áreas como ciências, tecnologia, medicina, ciências sociais e humanidades. A universidade possui cerca de 400 parcerias internacionais em mais de 60 países e é um importante centro de inovação, produção científica e cooperação acadêmica global.
Visita à Embaixada do Brasil na China destaca oportunidades para ampliar a cooperação educacional bilateral
A primeira atividade institucional da missão da Abruem em Pequim foi a visita à Embaixada do Brasil na China. No local, a delegação participou de uma apresentação sobre o cenário atual da cooperação educacional entre os dois países e as perspectivas de ampliação das parcerias acadêmicas.
Durante o encontro, representantes da Embaixada destacaram que as relações educacionais Brasil-China passam por um momento favorável, impulsionado pelo fortalecimento das relações diplomáticas, pelo crescente interesse de empresas chinesas instaladas no Brasil e pela estratégia de internacionalização adotada pelas universidades chinesas. Atualmente, diversas instituições educacionais chinesas manifestam interesse em ampliar a presença de estudantes brasileiros em seus programas de graduação e pós-graduação.
No evento, também foi explicado que, apesar dos avanços recentes, o intercâmbio acadêmico entre os dois países ainda possui amplo potencial de crescimento. Atualmente, 65 estudantes brasileiros recebem bolsas do China Scholarship Council (CSC) para estudos na China, enquanto 170 estudantes chineses participaram de programas acadêmicos no Brasil. Também foi destacada a necessidade de ampliar a mobilidade acadêmica, especialmente em áreas estratégicas relacionadas à ciência, tecnologia, inovação e formação de recursos humanos qualificados.
A Embaixada ressaltou, em sua fala, iniciativas em andamento, como o Programa Brasil-China de Futuros Líderes em Inovação Científica e Tecnológica, desenvolvido pela Capes, que prevê a participação de 160 estudantes de pós-graduação e 24 docentes, além de discussões para a criação de novos programas de doutorado-sanduíche entre os dois países.
Outro aspecto abordado foi o crescimento da relevância internacional das universidades chinesas. Rankings globais recentes apontam a presença de diversas instituições da China entre as melhores do mundo, reflexo de investimentos contínuos em pesquisa, inovação e internacionalização. O governo chinês também tem implementado políticas voltadas para aumentar a atração de estudantes estrangeiros, com foco em áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), diversificando a origem dos alunos internacionais e ampliando a oferta de oportunidades acadêmicas.
A agenda ainda evidenciou iniciativas voltadas ao ensino de idiomas e à transformação digital da educação. Atualmente, cerca de 5,3 mil estudantes chineses estudam português em aproximadamente 60 universidades do país, enquanto o ensino da língua chinesa continua em expansão no Brasil por meio dos Institutos Confúcio e de novos cursos universitários. Também foram apresentadas ações conjuntas nas áreas de inteligência artificial aplicada à educação, educação digital e formação de professores.
Todas as fotos de todas as visitas você encontra neste link. Senha: 2026
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